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VEZES 100 CONTO

All has not been said and never will be. Samuel Beckett

Vitimas do campo torto

 

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A vítima do campo torto tropeça ainda sentada.

Lesiona-se antes do aquecimento, nas irregularidades do terreno de jogo que não pisou.

Acaba na bancada chefiando a claque, numerosa, de bitaites arremessados, com desdém, para o campo de jogo onde está o plantel em que não tem lugar.

Assobia, impetuosamente, tretas.

Tem o sentido perfeito da má língua.

Diz o que lhe apetece, mas faz orelhas moucas ao que não lhe convém e que acha que não se aplica a si.

Não dá o corpo ao manifesto. Critica, mas não faz.

Acha-se mais importante e acima de suspeitas.

Pensa que as coisas acontecem por acaso. Obra e graça!

Alardeia o que fica para depois.

Põe-se na berlinda.

Não põe as ações ao pé da língua.

Nunca estão reunidas as condições.

Tem azar e escasseia, sempre, o que lhe faz falta.

É o sistema, a falta de visão alheia, o tempo, a meteorologia, os eczemas, os pólens, são os outros, é o campo…

O campo torto (que só existe devido às suas vistas curtas) prejudica-lhe o jogo que ninguém conhece. O talento que nunca ninguém viu. Desmerece os méritos invisíveis.

Atrofia-lhe visão, estratégia e dribles por inventar.

Por isso, a vítima do campo torto faz para dentro. Joga com a sua vontade impotente nas intenções. Na convicção de que se quisesse… fazia melhor, inovava, liderava, desbravava amazónias, acrescentava continentes mesmo que a estreia fosse às suas expensas.

Tem conta aberta na convicção de que um dia vai acontecer.

Puxa, regularmente, pelo cardápio avantajado e diversificado de desculpas que segue consigo para todo o lado.

Enquanto isso, continua especialista em coisa nenhuma e, na verdade, mais valia estar calado.

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