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VEZES 100 CONTO

All has not been said and never will be. Samuel Beckett

A rentrée | Diários da toalha de praia (The End)

 

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A reserva fica automaticamente registada ano após ano. 

A pele deixa de estar em esforço.

Deixa-se de acordar à hora que se quer.

Luta-se para que não seja mais do mesmo.

A rentrée é uma espécie de primeiro dia (do resto das nossas vidas) do ano com promessas feitas de véspera, mas sem direito a passagem de ano. 

Está cheia de redundâncias, de volta o disco e toca o mesmo e perigos.

Voltamos em setembro (cada um tem o seu que, também, pode ser outubro).

Apresentamo-nos, invariavelmente, cheios de força e boa vontade ou de trombas e a achar que era escusado.

Com manias de diferentes e a encolher a barriga para esconder os quilos que não perdemos.

A achar que devíamos ter lido  A mudança do destino interior que a nossa vizinha de toalha devorou.

O zen do rei do cool transforma-se em automato preso a horário. 

Voltam as contas que ficaram esquecidas e as rotinas que ficaram para depois.

Baralha-se e dá-se de novo para depois voltar tudo ao mesmo. Os mais supersticiosos entram ou reentram passe o português, com o pé direito, mas nem isso lhes vale.

Todos já preparados e suspirando pelas férias do próximo ano.

O sol em preliminares, atrasando o romance com o bronzeado.

O evolucionIsmo que apetrechou os utilizadores do astro rei, tanto para as tardes solarengas tanto como para as manhãs de nevoeiro com colorações e escamas artificiais gordurosas de fazer corar de inveja os répteis das Galápagos à espera.

Mais os chapéus de sol nas mãos, acabando usados como arpões contra as temperaturas e ultravioletas sanguinários em vez de Moby Dick, à vista.

O estacionamento menos que a conta.

As digestões entaladas entre as horas do banho.

A fila do pão, do peixe, dos jornais e a falta de lugares no restaurante e nas esplanadas.

A saudade, a saudade!