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VEZES 100 CONTO

All has not been said and never will be. Samuel Beckett

Faz como entenderes, mas olha que…

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Ouvir: "faz como entenderes, mas olha que…" exige atenções.

Despoleta sinais de alerta e alarmes de perigo iminente.

Obriga a olhar para todos os lados porque o atropelamento é inevitável, num percurso acidentado e cheio de vítimas.

Seja onde for, a política  do “ninguém obriga, mas…." traz implicações: falsas amizades, ronronares graxistas, rancores, promoções adiadas, aumentos protelados, perdas.

Manda-nos para a casa de partida porque os da faca e o queijo na mão concluem: "Afinal, ele…" baseados no: "É só porque…". 

Porque: fulano faz, sicrano comprometeu-se, algures há quem se disponibilize ou não se importe.

É um: "ganhavas mais" - cheio de gente para ir à nossa frente e fazer as nossas vezes (não obrigatoriamente os melhores que nós). 

Um: "perdes mais do que ganhas!" arqui-inimigo do "Não estou para isso!".

É uma falsa liberdade de: "tu é que mandas, porém se souberes o que é bom para ti…".

Um colete de forças oferecido por quem tem a última palavra.

Chantageia.

Borrifa-se.

Isenta-se de moralidades.

É uma traição ao voluntarismo.

Fica-se pelo: “Põe-te à tabela!”.

Toma a iniciativa por nós e faz a nossas vezes na decisão final.

Compromete assistência à família e tempo livre e alimenta flexibilidade com gula de apetite voraz de quem passa à frente na fila do almoço.

Serve para quem o pratica (ou exige considerar) para o que lhe apetece.

Inscreve-nos numa competição em que não queremos participar, mas que não contempla falta de comparência.

Lembra ao que vamos, o que precisamos e recorda o que podemos perder.

Apresenta exemplos de quem faz para nos levar à conclusão acertada a tirar que está, ainda assim, na nossa mão.

Põe-nos num sítio escolhido por terceiros. 

É um: "Tu é que sabes, mas vê lá no que te metes!".

Aparenta complacência, mas é displicente.

É um: "A gente sabe o que diz a lei, mas aqui as coisas moem de outra maneira!".

Consegue justificar os ponteiros andarem de maneira diferente. Tira e põe minutos, acrescenta e retira o que lhe apetece. 

Muda rotação por translação e sobra-lhe tempo para rever a situação do eixo.

Anda pelo cinzento porque não está para o preto e branco.

Porque como se costuma dizer "quem com ferros mata com ferros morre", o aspirante a ditador acaba, sem dar conta, envolto num imbróglio com quem é apanhado nas suas malhas e sofrendo a sua ação. Não conseguindo melhor do que um: "Claro, claro, eu faço, mas…. podia fazer bem mais e muito melhor". 

Façam como entenderem eu, por mim, olhem que…